Politica

O almoço mais caro do mundo!



Publicação Original feita por Lúcio Big para o site CanaldoOtário

Era dia 1º de fevereiro de 2015. Em Brasília, mais precisamente na Câmara Federal, às 10h iniciava a cerimônia de posse dos eleitos e reeleitos deputados federais.

Para o evento, a Câmara Federal ofereceu a cada um dos 505 deputados que vieram de outros estados, três diárias com direito a acompanhante no Hotel Meliá, em Brasília.

Após o evento, nada mais justo do que saborear uma boa comida e comemorar com classe os próximos quatro anos de mandato de muita fartura.

Um grupo de deputados foi para o requintado restaurante Dom Francisco situado na ASBAC (Associação dos Servidores do Banco Central), clube às margens do Lago Paranoá, um verdadeiro cartão postal.

Nesta turma estava o “tetra” deputado Benjamim Maranhão (SD/PB). Tetra porque ele foi eleito para seu quarto mandato.

O restaurante serve comida digna de realeza e o seu prato mais caro é o Bacalhau na Brasa que custa R$ 199,80.

Mas, nem toda fome do mundo faria alguém gastar R$ 1.495,00 numa única refeição. Quer dizer, acho que o deputado Benjamim Maranhão estava com essa fome toda. Pelo menos é a única justificativa que não o colocaria como alguém que usou de maneira indevida o dinheiro público da CEAP (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar)¹.

De acordo com o Ato da Mesa 43/2009 que regulamenta o uso do dinheiro público da CEAP (ou Cotão, como é chamado por muitos), o parlamentar pode utilizar deste dinheiro para custear despesas com alimentação, porém despesas efetuadas apenas e tão somente por ele, ou seja, é vedado o pagamento para assessores, secretários, familiares, amigos e afins.

De acordo com a nota fiscal abaixo, que foi apresentada pelo parlamentar à Câmara Federal para fins de ressarcimento (e o foi), podemos verificar a descrição “01 refeição – R$ 1.495,00”.

nf[1]

Eu, Lúcio Big, estive no restaurante para eliminar algumas possibilidades.

A primeira delas era se o a nota fiscal apresentada pelo parlamentar não era um clone, ou seja, uma nota falsa. Extremamente bem recebido pelos funcionários do estabelecimento, eu pude verificar que a via da nota fiscal recebida pelo parlamentar foi realmente emitida pelo estabelecimento e no respectivo valor.A nota fiscal é idônea.
A outra possibilidade era se o deputado havia se alimentado no estabelecimento ao longo de um período e, ao final deste, ele recebeu uma única nota com o somatório de todas as despesas. Antes mesmo que eu terminasse minha pergunta, fui informado que o restaurante não presta este tipo de serviço. Comeu, pagou e recebeu a nota!A despesa se refere a apenas “uma” refeição.
A última possibilidade era se alguém se lembrava do deputado e se ele havia pago a conta para pessoas que estivessem lhe acompanhando. Obviamente que nem mesmo um elefante se lembraria de um deputado do “baixo-clero”, como Benjamim Maranhão, e muito menos se na nota fiscal foram incluídas despesas de seus possíveis acompanhantes.Não se sabe se a conta refere-se a mais de uma despesa.

Com a certeza de que nenhum ser-humano normal conseguiria consumir quase R$ 1.500 em comida numa única refeição, o jeito foi tentar falar com o deputado ou com a sua assessoria. No dia 13/04 consegui contato com Noel Damasceno Pereira, chefe de gabinete do deputado em Brasília, que, ao ser indagado pela fabulosa despesa, disse-me não poder dar explicações, mas que entraria em contato oportunamente após falar com o parlamentar. O tempo passou e eu não recebi nenhum contato telefônico. Realizei inúmeras ligações, mas o telefone apenas chamava.

Os aparelhos telefônicos dos gabinetes dos deputados federais possuem identificador de chamadas.

A Câmara Federal também foi questionada por mim. Como de praxe, eu tive que fazer uma solicitação por escrito (via internet) e nos próximos dias deverei receber a explicação sobre como a casa liberou o ressarcimento integral ao deputado, visto que é impossível que esta despesa tenha sido apenas do parlamentar.

Enquanto preparávamos este texto para ser publicado, a Câmara Federal retirou a Nota Fiscal de seu portal. Geralmente isso ocorre quando os técnicos encontram informações incorretas. Caso esta hipótese se confirme, o deputado terá descontado de seu salário o valor integral da nota. Atualizaremos este texto à medida em que novos fatos aconteçam.

O que você acha de perguntarmos ao deputado como ele conseguiu a proeza de gastar tanto dinheiro assim numa única refeição?

Algumas formas para entrar em contato com o Deputado:BENJAMIN GOMES MARANHÃO NETO
(61) 3215-5458 ou 3215-3458
Fax: 3215-2458
Praça dos Três Poderes – Câmara dos Deputados
Gabinete: 458 – Anexo: IV
CEP: 70160-900 – Brasília – DFRedes Sociais:
Página do facebook do deputado
Canal do Youtube do Deputado
Página no Google+ do Deputado

Agradeço ao pessoal do Humilde Congressista que realiza um trabalho muito interessante no Facebook, inclusive este caso surgiu de uma denúncia deles.

Assista ao vídeo abaixo para saber mais detalhes.

Mais informações na publicação original no CanaldoOtário


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Sir. Aulus

Vegano, estudante de Ciência e Tecnologia da Universidades Federal da Bahia. Apaixonado por tecnologia, filosofia, música, teatro, defensor dos direitos animais, humanos e não-humanos. Aprendiz de Jiu-jitsu e amante de bons filmes e livros.

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