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Fazenda de energia eólica que armazena vento em rochas



Após o discurso de Dilma Rousseff, feito no dia 27 de setembro de 2015 durante entrevista coletiva promovida pela ONU em Nova York – onde a presidente afirmou que é impossível se estocar vento – milhares de blogs e sites começaram a ressuscitar notícias antigas a respeito de uma fazenda eólica no Estados Unidos que estaria estocando vento para poder gerar energia eólica em dias sem vento.

Essa é a matéria:

Sempre que se fala de energia solar ou energia eólica, o primeiro empecilho que se coloca é que uma rede de geração de energia “de verdade” não poderia ser dependente dessas fontes porque elas não seriam confiáveis.

Afinal, um gerador eólica só iria produzir energia quando estivesse ventando, assim como um conjunto de painéis solares só iria produzir eletricidade durante o dia e em dias não nublados.

Falsos argumentos

Esses argumentos, contudo, não têm nenhum fundamento científico e “se esquecem” de um detalhe crucial: é possível armazenar energia.

As baterias, supercapacitores e flywheels são alternativas bem conhecidas quando se trata de armazenar energia elétrica.

Mas agora, um consórcio de empresas dos Estados Unidos, reunidas no Iowa Stored Energy Park, foi muito além e vai armazenar o próprio vento, que será utilizado para gerar energia quando for necessário. Ou, mais especificamente, nos momentos de pico de demanda, quando a energia é mais cara e pode oferecer um maior faturamento para o grupo.

Armazenando o vento em rochas

A maioria das fazendas de geração de energia eólica passa por períodos nos quais o vento é mais forte do que o necessário, principalmente à noite. Essa energia extra será utilizada para alimentar enormes compressores de ar, que enviarão o ar comprimido por meio de um túnel para uma camada de arenito localizada a cerca de 1.000 metros de profundidade.

O arenito é uma rocha extremamente porosa e, a essa profundidade, fica encharcado de água. O ar sob pressão ficará armazenado nesses poros, expulsando a água. O arenito fica localizado entre camadas de argila, que funcionam como um lacre que não deixa o ar escapar. Nos momentos de pico de demanda, quando mais energia é necessária, o ar comprimido nessas rochas profundas será então redirecionado para a superfície, sendo utilizado para gerar eletricidade.

A usina não é inteiramente movida pela energia do vento. Ela é na verdade uma usina híbrida, que utiliza energia eólica e uma turbina movida a gás natural. O ar-comprimido consegue elevar o rendimento da turbina em até 60%.

Atualizações:

Na edição de 6 de fevereiro de 2012, a revista Public Power Weekly explicou que a ideia de “armazenamento de vento” proposta pelo consócio em Lowa acabou se mostrando inviável. De acordo com a publicação, o projeto foi cancelado após se descobrir que as condições geológicas eram “desfavoráveis”.

power-wind energy

Quando o projeto foi cancelado, o consórcio já havia usado U$8 milhões dos $400 milhões previstos para a sua realizaçãoe, só para não ficar no prejuízo, lançou um site chamado Lições de Lowa com os erros e acertos desses estudos (que se mostrou inviável).

Em entrevista à Scientific American, o diretor sênior de iniciativas tecnológicas no Operador do Sistema de Transmissão Centro-Oeste, Rich Kalisch, disse que:

“Não há uma afinidade natural entre o armazenamento e as energias renováveis”

Rich, que administra cerca de 100.000 milhas de linhas de transmissão em 13 estados norte-americanos afirmou também que essa questão é bastante preocupante e que milhões de dólares são gastos anualmente para que sejam encontradas formas de se armazenar energia renovável.

FONTES: E-farsas | Inovação Tecnológica


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Sir. Aulus

Sir. Aulus

Vegano, estudante de Ciência e Tecnologia da Universidades Federal da Bahia. Apaixonado por tecnologia, filosofia, música, teatro, defensor dos direitos animais, humanos e não-humanos. Aprendiz de Jiu-jitsu e amante de bons filmes e livros.

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