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Direitos de policiais também foi luta de Marielle Franco

Direitos de policiais também foi luta de Marielle Franco

Rose Vieira, mãe de Eduardo, e a irmã Bruna Vieira viraram amigas de Marielle após o suporte dela no caso – Daniel Castelo Branco Em julho de 2015, Marielle Franco, então coordenadora de Direitos Humanos da Alerj, chegou esbaforida no Fórum de Duque de Caxias. Faltavam poucos minutos para começar o julgamento sobre o assassinato do

Rose Vieira, mãe de Eduardo, e a irmã Bruna Vieira viraram amigas de Marielle após o suporte dela no caso
Rose Vieira, mãe de Eduardo, e a irmã Bruna Vieira viraram amigas de Marielle após o suporte dela no caso – Daniel Castelo Branco

Em julho de 2015, Marielle Franco, então coordenadora de Direitos Humanos da Alerj, chegou esbaforida no Fórum de Duque de Caxias. Faltavam poucos minutos para começar o julgamento sobre o assassinato do policial civil Eduardo Oliveira, morto pelo tiro de um colega, em 2012. “Ela me abraçou forte. O abraço dela era gostoso, reconfortante. Disse que foi de trem até o local”, afirmou Rose Vieira, mãe de Eduardo, que caracterizou Marielle como um anjo.

“Quando meu filho foi morto me falaram para procurar os Direitos Humanos. Pensei: ‘Direitos Humanos para policiais?’Foi assim que conheci a Marielle, que passou a cuidar do caso pessoalmente”, contou Rose.

Três meses após o crime, foi a ativista quem pressionou o Ministério Público para que o nome do policial Lincoln Vargas saísse da condição de testemunha para autor de assassinato. Isso porque Vargas alegou que o policial foi morto ao trocar tiros com assaltantes. No entanto, o exame balístico mostrou que o tiro que atingiu Eduardo na nuca foi disparado por Vargas.

O caso só foi desvendado através da luta da mãe de Eduardo. “No enterro, o Vargas me abraçou. Escutei o Eduardo falando: ‘mãe, foi ele’. Na hora eu disse: ‘foi você quem matou meu filho’. Ele deu três passos para trás. Não tive dúvidas de que foi uma execução”, relatou Rose.

O apoio de Marielle foi fundamental para conseguir as câmeras do local do crime, ocorrido em um trecho de estrada de responsabilidade federal. Também através dela, Rose conseguiu um defensor público com experiência. E, no julgamento, Marielle desmentiu a advogada do acusado, dizendo ao juiz que a defensora não era ativista dos direitos humanos, conforme havia se apresentado. O auxílio profissional virou amizade. “Ela me ligava de vez em quando e dizia: ‘vou aí na sua casa tomar um cafezinho’. E passava a tarde aqui, conversando”, relembrou Rose, que ainda luta para conseguir Justiça para Eduardo. Quando soube da morte da amiga, na quarta-feira, caiu em prantos. “Fui ao velório e ao enterro. Fizeram um mal para uma pessoa que só fazia o bem”, desabafou.

De acordo com o professor da Uerj, Ignácio Cano, Marielle já recebeu críticas por defender policiais. “Ela sempre mostrou sensibilidade para ver quando os policiais eram vítimas do sistema. E, por não considerar os policiais como inimigos, chegou a ser criticada por grupos de esquerda”, afirmou.

Em sua tese de mestrado na UFF, intitulada ‘UPP: a redução da favela a três letras’ (2014), ela escreveu: “As marcas dos homicídios estão presentes no peito de cada mãe de morador de favela ou mãe de policial que tenha perdido a vida. Nenhuma desculpa pública, seja governamental ou não, oficial ou não, é capaz de acalentar as mães que perderam seus filhos. Não há como hierarquizar a dor, ou acreditar que apenas será doído para as mães de jovens favelados. O Estado bélico e militarizado é responsável pela dor que paira também nas 16 famílias dos policiais mortos”.

Comissão ajudou família da soldado Alda, morta na UPP

Alda foi baleada na Penha – Reprodução

No período em que foi coordenadora de Direitos Humanos na Alerj, Marielle Franco também ofereceu ajuda a outras famílias de policiais mortos. Entre elas, a da soldado Alda Castilho, morta em 2014, na UPP Parque Proletário, na Penha. Mãe de Alda, Maria Rosalina, 63, relembra que não teve auxílio da PM para ajuda psicológica das outras duas filhas, mas recebeu da Comissão de Direitos Humanos. Elas não fizeram o tratamento por conta de horários incompatíveis.

Os acusados da morte de Alda foram inocentados pelo júri popular. “Até hoje minha filha não teve justiça. Digo que ela não me deixou, mas voltou para dentro de mim”, disse, emocionada.

Ignácio Cano também lembra que as organizações que lutam para preservar os direitos e liberdades individuais também defendem policiais. “Muitos policiais são atropelados pelas corporações, sem direito de defesa, sobretudo na Polícia Militar. Ou com longos horários sem horas extras, tratamentos arbitrários. Há tempos os Direitos Humanos tentam também dar auxílio às famílias de policiais mortos. E a Marielle, de fato, teve um papel muito importante. Ela inclusive me perguntava várias vezes como se comunicar com essas famílias, me pedindo contatos dentro da PM que poderiam ajudar”, contou.

Segundo Silvia Ramos, coordenadora do Observatório da Intervenção, “Marielle defendia a vida, seja de quem for, moradores de favelas, criminosos ou policiais. Várias vezes essa defesa se expressou na forma bastante real de apoio a familiares de policiais mortos”, declarou.

Apesar disso, há famílias de policiais que reclamam da falta de procura dos grupos de defesa aos Direitos. A viúva de um oficial da PM, morto em 2014, relata que só foi procurada pela Comissão de Direitos Humanos após reclamar da ausência de auxílio. “Dois meses após a morte do meu marido reclamei e eles me procuraram. Não tive aquela ajuda imediata, de conforto imediato”, afirmou.

Para que isso não ocorra mais, desde o início do ano foi firmado um trabalho conjunto entre a Comissão de Direitos Humanos da Alerj e o comando da Polícia Militar para um trabalho conjunto no caso de mortes de PMs.

Psol vai recorrer à Justiça contra magistrada

O Psol vai entrar com uma representação no Conselho nacional de Justiça e com uma ação criminal por calúnia e difamação contra a desembargadora do TJ-RJ Marília Neves. A magistrada afirmou que a vereadora “estava engajada com bandidos” e que foi “eleita pelo Comando Vermelho”. Além disso, diz que descumpriu promessas à facção e foi morta por isso. O partido montou uma equipe jurídica para rastrear notícias falsas e boatos sobre ela e o motorista Anderson Gomes, também assassinado. Um e-mail foi colocado à disposição de quem encontrar as chamadas fake news: [email protected]

Silvia Ramos defendeu Marielle. “Agora que ela está morta, é fácil falar que ‘defendia bandidos’. Quero ver estar junto de mulheres e familiares de policiais mortos como ela fazia”.

Novas imagens de câmeras de segurança, divulgadas ontem pelo RJTV 2ª edição, mostram dois carros pratas atrás do veículo em que estava Marielle, na noite de quarta, na Rua Salvador de Sá, próximo ao local onde ela foi assassinada. A Divisão de Homicídios incluiu essas imagens na investigação.

Fonte: O Dia

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